domingo, 20 de maio de 2018

CAROLINA BELOTTI TARTEICA: UMA PARTEIRA DE PRIMEIRA CLASSE EM 1910

O portal Jundiaí Agora publicou no final do ano de 2017  uma matéria muito interessante relatando que  em 1910, os jornalistas jundiaienses Tibúrcio Estevam de Siqueira e João Baptista Figueiredo escreveram e organizaram o Almanach de Jundiahy. O lançamento ocorreu em janeiro do ano seguinte pela Folha Typografia e Pautação, estabelecimento que funcionava também como livraria e papelaria. 

Esse almanaque, com 215 páginas, trazia anúncios, poesias, registro de datas importantes de nossa cidade, lista dos povoadores, passatempos e variedades - era uma visão dos tempos em que  Jundiaí era uma pacata cidade com 11 mil habitantes.

Um dos anúncios era o de uma "parteira de primeira classe", que atendia às parturientes de nossa cidade - naquela época, a regra era que as crianças nascessem em casa, com o auxílio dessas profissionais. Hospital, apenas em casos raríssimos (só tínhamos o S. Vicente, foto acima); conhecemos pessoas nascidas nos anos 1960 que, em nossa cidade, vieram ao mundo com o auxílio de parteiras. Carolina Belotti Tarteica, ao que parece, era uma profissional com formação muito boa. 

O exemplar do almanaque que serviu para a elaboração da matéria faz parte do acervo do Sebo Jundiaí, foi resgatado pelo professor Maurício Ferreira em um depósito papéis para reciclagem. O acaso ajudou a preservar a história da cidade,  já que o almanaque  é raríssimo.

O almanaque teve uma nova edição lançada em abril de 2012.


Uma curiosidade: pautação era o trabalho de imprimir linhas em papéis que seriam utilizados para escrita - hoje, papel pautado é cada vez menos utilizado...

sábado, 19 de maio de 2018

NOVEMBRO DE 1942 - ERA ELEITA A RAINHA DOS ESTUDANTES DE JUNDIAÍ

O jornal Folha da Manhã de 5 de novembro de 1942 noticiava a eleição da "Rainha dos Estudantes".

As candidatas representavam escolas e os votos eram vendidos - isso era comum naquela época, quando se pretendia arrecadar fundos para alguma campanha - no caso, com o Brasil entrando na 2ª Guerra Mundial, os valores arrecadados iriam para a campanha pró Marinha de guerra. 

domingo, 13 de maio de 2018

O GRUPO GASPARIAN CALOTEOU TRABALHADORES JUNDIAIENSES

A Fábrica São Jorge era uma indústria têxtil pertencente ao Grupo Gasparian que acabou falindo e deixando de pagar seus empregados.

Em sua edição de 30 de setembro de 1970, O Estado de S. Paulo noticiava que o imóvel onde se localizava a fábrica fora vendido e os funcionários receberiam uma parte do que lhes era devido - o imóvel, localizado em local nobre da cidade, próximo ao centro da cidade e à Av. 9 de Julho, abriga hoje um grande supermercado - a foto ao final do post mostra o supermercado logo após sua inauguração. 

Outra empresa do mesmo grupo, a Fiação e Tecelagem Jundiaí teve destino semelhante, também caloteando seus funcionários - seu prédio é ocupado hoje pela Receita Federal.







terça-feira, 8 de maio de 2018

DA CAPELA PAI MANOEL À PARÓQUIA NOVA JERUSALÉM

A região onde fica a igreja Nova Jerusalém era chamada antigamente Pai Manoel, não sabemos por quais razões. 

Em 1932, foi erguida ali uma pequena capela, que mesmo passando por algumas reformas, ficou muito pequena para as necessidades da comunidade.

Em março de 1968, com sede na capela, foi criada a Paróquia Bom Jesus de Jundiaí. Em agosto daquele mesmo ano, o padre espanhol Jesus Bosco Priante tomou posse como seu primeiro pároco.

Imediatamente começaram os trabalhos para construção de uma igreja, em área próxima à antiga capela, tendo, depois de muito trabalho, a nova igreja sido inaugurada em 23 de março de 1975, um Domingo de Ramos; a foto abaixo, do acervo do Prof. Maurício Ferreira, mostra a igreja em construção em 1972.




Como esse novo local era chamado Nova Jerusalém pelos paroquianos, o segundo Bispo Diocesano de Jundiaí, Dom Roberto Pinarello de Almeida, resolveu, em decreto de 1º de janeiro de 1990, alterar o nome da paróquia, de Bom Jesus, para Nova Jerusalém. Até mesmo o bairro mudou de nome, sendo chamado agora Vila Della Piazza. 



quinta-feira, 3 de maio de 2018

ACIDENTE DE CARRO EM 1936. A VÍTIMA SERIA O CHICÃO, DO CENTRO DE SAÚDE?

Em 21 de abril de 1936, um acidente de carro feriu dois jundiaienses que viajavam para a cidade de Araraquara. 

Segundo "O O Estado de S. Paulo", um deles, Francisco Stuchi, feriu-se gravemente, com fraturas em uma das pernas.

Seria essa pessoa o querido e popular Chicão, que trabalhou no Centro de Saúde de nossa cidade? Chicão, que claudicava, andava com dificuldades, frequentava o Dadá, bar situado no centro de nossa cidade, sempre disposto a um bom papo.  


sexta-feira, 27 de abril de 2018

O TÚNEL DE BOTUJURU: MAIS FATOS ESTRANHOS

O túnel ferroviário de Botujuru, na ligação Jundiaí S. Paulo é um local onde aconteceram muitos fatos no mínimo esquisitos: crimes, acidentes (alguns quase cômicos), aparições etc. 

No início de 1898 mais um acidente aconteceu: uma caixa de dinamite que estava sendo utilizado na duplicação do túnel explodiu, matando um operário que manuseava o material. 

No momento da explosão, um trem que saíra de Jundiaí passava pelo túnel - seus passageiros nada sofreram, houve apenas pequenos danos materiais. 


segunda-feira, 23 de abril de 2018

JUNDIAI JÁ TEVE UM TIRO DE GUERRA

Os Tiros de Guerra (TGs) são organizações vinculadas ao Exército encarregadas dar uma formação militar muito básica aos jovens, que em situações de emergência podem ser empregados em operações de defesa territorial e/ou defesa civil. 

Os TGs são estruturados de modo que o convocado possa conciliar a instrução militar com o trabalho ou estudo; a organização de um TG ocorre em acordo firmado com as prefeituras e o Exército, que fornece os instrutores (normalmente sargentos ou subtenentes), fardamento e equipamentos, enquanto a administração municipal disponibiliza as instalações. Por essa razão, geralmente, o prefeito se torna o diretor do TG.

Existem hoje mais de 200 TGs distribuídos por quase todo o território brasileiro. Antigamente chamados "Linhas de Tiro" tiveram origem em 1902, quando se fundou na cidade de Rio Grande (RS) uma
sociedade de tiro ao alvo com finalidades militares — essa e outras similares transformaram-se a partir de 1916 em estruturas vinculadas ao Exército, na esteira da pregação de Olavo Bilac em prol do serviço militar obrigatório - como não era possível ter unidades regulares do Exército em todo o pais, os TGs acabaram tornando-se a presença do exército em muitas localidades. 

Em função de o Exército estar aqui  desde 1922, quando começou a operar o 2° Grupo de Artilharia de Montanha, hoje 12º GAC, foi com surpresa que descobrimos ter existido aqui um Tiro de Guerra, o TG 132 - afinal, os TGs eram instalados prioritariamente em cidades em que não existiam unidades regulares do Exército.

As informações sobre nosso TG são poucas; a primeira notícia que encontramos acerca do TG, dava conta que em 1º de setembro de 1932 fora inaugurado o stand do Tiro de Guerra (à época chamado Linha de Tiro), situado na Ponte de S. João. Em junho de 1931 foi nomeado instrutor o sargento Arnaldo Ferreira Bastos; em 3 de janeiro de 1932 foi eleita a diretoria do TG, presidida por João Henrique Bezerra; outras personagens importantes de nossa cidade faziam parte da diretoria: Tibúrcio Estevam de Siqueira, Waldomiro Lobo da Costa, Alceu de Toledo Pontes, Casemiro Brites de Figueiredo (eleito presidente em 1934), Thomaz Pivetta (foi prefeito de nossa cidade), Hugo Olivato e Mario Bocchino (entre outros). Boaventura Pereira Neto foi também presidente do TG.

Em fevereiro daquele ano, foi nomeado instrutor o sargento Alcides Vilar de Azevedo. Serviam jovens de 21 anos de idade; o curso durava cerca de 6 meses.

Na revolução de 32, os membros do TG foram encarregados do policiamento da cidade, pois os militares do Exército e da Força Pública foram deslocados para a frente de batalha. 

Em 20 de setembro de 1935, a Folha da Manhã anunciava a realização de um jogo de futebol entre reservistas daquele ano e os de 1934 - a nota dizia que o 132 era um dos mais antigos de nosso estado.

Com a criação de uma "Unidade-Quadro" como parte do 2º Grupo de Artilharia de Dorso (hoje 12º GAC), uma bateria destinada a formar reservistas de 2ª categoria, o TG 132 encerrou suas atividades em fins de 1936.

A sede do TG 132 ficava  rua Capitão Damásio (atual Marechal Deodoro da Fonseca), e segundo o Cel. Benevides, que comandou o 12º GAC, tinha um estande de tiro na área que hoje compreende o bairro da Colonia. O TG 132 tinha, na virada dos anos 1920 para 1930, uma banda e um "jazz band" - pequena banda que tocava música popular, especialmente jazz, muito em voga na época.

A foto abaixo foi publicada pela revista "Sultana", que circulou em nossa cidade; era o número 24, de setembro de 1935:




domingo, 22 de abril de 2018

VEREADOR É PRESO (E LOGO SOLTO)


Vivemos um momento em que políticos tradicionalmente adversários se unem contra a prisão de pessoas condenadas em segunda instância - é um momento em que o que interessa é a salvação da pele...

Políticos de nossa cidade já adotavam, há 50 anos, praticas similares: em 25 de março de 1958, a imprensa noticiava  a detenção de praticantes de jogos de azar, proibidos por lei. Dentre os detidos, o dono do bar que sediava a jogatina, Waldemar Giarola, vereador pelo PSB.

O vereador Giarola
Tão logo souberam da notícia, vereadores movimentaram-se e acabaram obtendo a soltura do colega, prometendo tomar providências contra o delegado responsável pela operação!

É exatamente o que vem acontecendo agora, com os transgressores da lei inocentados e os policiais que cumpriram seu dever, responsabilizados. 

E também à semelhança do que vem acontecendo agora, o vereador foi reeleito mais duas vezes...



terça-feira, 17 de abril de 2018

OS TROPEIROS DE JUNDIAÍ RECLAMAM: QUEDA DE PONTE INTERROMPE A LIGAÇÃO COM S. PAULO E SANTOS

A administração pública raramente consegue executar suas funções de maneira a atender às necessidades dos cidadãos. 

Prova disso é que a Câmara da cidade de São Paulo recebeu, em 26 de outubro de 1822, documentos dando conta de queixas de tropeiros que transportavam mercadorias, principalmente açúcar, de nossa cidade para São Paulo e Santos - à época, Jundiaí era uma grande produtora de açúcar.

Os tropeiros queixavam-se do estado da ponte do Anastácio, sobre o rio Tietê; essa ponte devia situar-se próximo à atual ponte que em continuação à Via Anhanguera cruza o rio. 

Em março daquele ano, a ponte foi vistoriada, tendo se constatado que uma das vigas estava quebrada. Fez-se uma concorrência para conserto da ponte e em 22 de maio houve o pedido para que o governo fizesse o primeiro pagamento, para início dos serviços.

Parecia que tudo iria se resolver, mas no dia seguinte estoura a "Bernarda de Francisco Inácio", um motim promovido em função de rivalidades políticas na então Província de São Paulo". No museu de Itu há um painel de azulejos que faz referência ao movimento. 

O movimento só foi sufocado em janeiro do ano seguinte, e durante o mesmo, quase tudo, inclusive o conserto da ponte, foi paralisado - ela continuou a deteriorar-se até cair de vez, prejudicando não apenas os tropeiros, mas os moradores da região e outros viajantes. 


quinta-feira, 12 de abril de 2018

JÁ EM 1940 SER JORNALISTA EM JUNDIAÍ ERA PERIGOSO

João Baptista de Figueiredo foi um jornalista jundiaiense que, entre outras atividades, fundou em 1926 e dirigiu o jornal "A Comarca", que tinha sede à Praça Governador Pedro de Toledo), próximo à Catedral. Viveu intensamente a vida de nossa cidade, e como não poderia deixar de ser, tinha inimigos.

Como noticiava "O Estado de S. Paulo", em sua edição de 6 de agosto de 1940, na noite de 27 do mês anterior Figueiredo foi agredido na rua Dr. Torres Neves por dois indivíduos, que se sentiram ofendidos por notícia trazida pela "Comarca". Um dos agressores, armado com um cabo de vassoura, deixou o jornalista desacordado; foi conduzido à "Pharmácia Italiana" e ali atendido pelo Dr. Felippe Elias. 

Os agressores foram José Pisápio, que confessou sua participação na agressão, e João de Araújo, vulgo Boneca, que negou sua participação.

Como hoje, vida de jornalista sempre foi perigosa.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

TRAGÉDIAS QUE PODERIAM TER SIDO EVITADAS

Mortes em decorrência de acidentes são muito tristes; ainda mais tristes quando esses acidentes poderiam ter sido evitados. 

A Folha de S. Paulo de 17 de março de 1969 noticiava dois desses acidentes, ocorridos no dia 15: em um deles, uma pessoa caiu em um poço, ao tentar verificar o volume de água disponível; tentou descer pelo cano que levava a água à superfície, que não resistindo ao peso da pessoa cedeu, lançando-a ao fundo do poço.

O outro caso aconteceu durante uma escavação que vinha sendo feita em uma indústria: houve um deslizamento de terra que matou um operário. 

Infelizmente, não temos uma cultura de segurança, que poderia ter evitado o pior. 

sexta-feira, 30 de março de 2018

MARÇO DE 1952: A PASTEURIZAÇÃO DO LEITE ERA TORNADA OBRIGATÓRIA E A RUA JOÃO FERRARA ENTREGUE

Louis Pasteur (1822-1895), descobriu em 1864 que ao aquecer certos alimentos e bebidas acima de 60°C por um determinado tempo e depois baixar bruscamente a temperatura do produto,  havia significativa redução do número de micro-organismos.

No final do século XIX, Franz von Soxhlet propôs a aplicação do procedimento da pasteurização para o leite "in natura", comprovando que o processo era eficaz para a destruição das bactérias existentes neste produto. Esse procedimento mostrou-se fundamental para preservar a saúde dos consumidores.  

A Folha da Manhã de 6 de março de 1952 noticiava que a medida seria obrigatória em nossa cidade, o que provocou a revolta dos leiteiros da cidade, que procuraram apoio junto ao prefeito e vereadores, que pediram o adiamento da medida e outros estudos a respeito; a alegação era de que os custos de pasteurização inviabilizariam os negócios. Não sabemos quando ocorreu, mas a medida acabou sendo adotada. 

Na mesma edição daquele jornal, havia mais duas notas a respeito de nossa cidade: a Câmara iria votar uma proposta no sentido de tornar obrigatória a construção de calçadas (passeios) nas ruas pavimentadas. 

Outra nota era a entrega ao público da Rua João Ferrara, que liga a Rua Cica à Rua Bom Jesus de Pirapora. Essa rua era sujeita a frequentes inundações, como mostra a foto abaixo.








domingo, 25 de março de 2018

1933: ERA INAUGURADO O PALACETE DA FAMÍLIA FILIPPOSI

A Folha da Manhã de 20 de novembro de 1933 noticiava a inauguração do palacete pertencente ao "capitalista sr. Sylvio Filipposi", situado à Rua Barão de Jundiaí.

O pintor Camilo Meloni, nascido em Rio Claro no ano de 1906 foi o responsável pela decoração da casa. Foi famoso em nossa cidade, tendo sido um dos responsáveis pela decoração interna de nossa Catedral, no ano de 1928. 

A festa deve ter sido em grande estilo, com músicos se apresentando antes do grande baile que encerrou o evento. 

quarta-feira, 21 de março de 2018

O "GYMNASIO HYDECROFT" E O VELHO QUARTEL DO EXÉRCITO NO CENTRO DE JUNDIAÍ

Já falamos em posts anteriores dos quartéis do Exército em nossa cidade, o antigo, já demolido, no centro da cidade e o atual na Vila Rami

Recentemente encontramos uma notícia publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo de 14 de dezembro de 1917, dando conta da aquisição, pelo governo federal, do prédio onde seria instalado o quartel do centro da cidade. 

No prédio, funcionara desde 1909 o "Gymnasio Hydecroft", que  chegou a ser dirigido pelo Prof. Luiz Rosa, conhecido educador. Além dos cursos regulares, o Hydecroft mantinha  preparatórios para os cursos superiores. 

O Hydecroft funcionava em S. Paulo, à Rua Bento Freitas e transferira-se para Jundiaí fugindo de surtos de febre tifoide e de outras doenças que aconteciam na capital, onde era conhecido como "Collegio Inglez" - o anúncio ao lado foi publicado em dezembro de 1914. Entre seus professores (1909-1916) esteve Mário Guimarães, que deixou o cargo para ingressar no Ministério Público, tendo mais tarde sido ministro do STF - o grande Fórum Criminal situado no Bom Retiro, na cidade de S. Paulo, leva seu nome. 

O time de futebol daquela escola, cuja foto aparece abaixo,  foi o primeiro time do interior do Estado de São Paulo a disputar um Campeonato Paulista, em 1914. Antes destacara-se em jogos contra equipes de outras escolas, dentre elas o da Escola Americana (hoje Mackenzie) e Colégio de S. Bento, ambos de S. Paulo. Enfrentara também o time da Escola Agrícola, hoje ESALQ/USP, de Piracicaba.

O time (Hydecroft Football Club) fora fundado em  1907; seu uniforme era branco e seu escudo era uma estrela vermelha com a letra H maiúscula branca no centro. 


segunda-feira, 19 de março de 2018

COMETAS VOANDO PELA ANHANGUERA


No início de 1949, ocorreu um acidente com um ônibus da Viação Cometa, que se dirigia de Jundiaí para São Paulo.

A estrada era muito perigosa - já se aproximando da Capital, o ônibus bateu em um caminhão que atravessava a estrada, procurando entrar em uma olaria. 

O motorista do ônibus e alguns passageiros ficaram feridos, mas logo em seguida ao fato, o então vereador Lázaro de Almeida (o Arquimedes), atribuía o acidente ao excesso de velocidade, pois era previsto que a viagem durasse uma hora, havendo pressão da empresa para que esse tempo fosse cumprido. 

Se isso fosse realmente verdade, a situação era muito grave: a estrada era menos segura (havia cruzamentos como o que causou o acidente), o acesso ao centro de S. Paulo e Jundiaí, onde os ônibus paravam, era feito por ruas comuns (não existiam as Marginais) etc. - na atualidade, com estrada e vias de acesso melhores gasta-se uma hora apenas nos horários onde não ha picos. 

De qualquer forma lembro que, nos anos 1950, os Cometas eram famosos pela velocidade que desenvolviam.  Pilotar um deles era o sonho de todo menino...

MAIS UM CRIME MISTERIOSO EM 1941

A Folha da Manhã de 3 de novembro de 1941 noticiava uma tragédia acontecida em Louveira, então pertencente a Jundiaí. 

Na madrugada, um telefonema de Louveira alertou a Delegacia de Polícia de Jundiaí no sentido de que uma mulher morta com uma facada no peito. Algum tempo depois, o corpo de um suspeito, vizinho da vítima, foi encontrado morto na mata, próximo ao local do crime. 


sexta-feira, 16 de março de 2018

AS ÁGUAS DE MARÇO DE 1895 CAUSAVAM PROBLEMAS AO TRÁFEGO FERROVIÁRIO


O jornal "A Cidade de Ytú", em sua edição de 17 de março de 1895, noticiava ter sido restabelecida a ligação ferroviária entre Jundiaí e aquela cidade, suspensa em função de estragos causados pela chuvas - já naquela época as águas de março traziam problemas. O trecho Jundiaí-Itú foi inaugurado em 17 de Abril de 1873, um dia antes da “Convenção Republicana de Itu”, com a presença do então Presidente da Província, o Dr. João Theodoro Xavier.

É interessante notar que Itu tinha ligação ferroviária também com Piracicaba, que também fora prejudicada pelas chuvas - uma ponte provisória estava sendo construída para restabelecimento do tráfego. 

Certamente seria muito bom para todos se essas linhas ainda existissem...


sábado, 3 de março de 2018

1958: MELHORIAS PARA A SEGURANÇA PÚBLICA EM NOSSA CIDADE

Em 17 de setembro de 1958, O Estado de S. Paulo noticiava melhorias para a segurança de nossa cidade. A primeira delas era o início da construção da cadeia do Anhangabaú,  depois demolida e em local hoje ocupado por instalações das forças de segurança.

Outra notícia era a instalação de um contingente da Guarda Civil, inicialmente composto por dez homens que ficariam instalados provisoriamente no Parque da Uva. A Guarda Civil era uma força estadual, fundada em 1926 e que em 1979 uniu-se à Força Pública, originando a Polícia Militar do Estado de São Paulo. A foto acima mostra membros da Guarda, em seu tradicional uniforme azul-marinho. 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

O ASSASSINATO DO PORTUGUÊS: SERIA A IMPRENSA IMPARCIAL?


"A Pátria" era um jornal da colônia portuguesa, publicado em São Paulo, e como tal trazia notícias do interesse dessa comunidade. 

Em sua edição de 3 de janeiro de 1904, trazia notícia desmentindo que o chefe da estação de "Corropira" (Corrupira), em nossa cidade, havia sido absolvido de um crime de morte, que teria cometido contra um cidadão português. 

Na verdade, o chefe da estação fora julgado em nossa cidade e absolvido pelo voto de Minerva (desempate), mas o Tribunal de Justiça, órgão de segunda instância, determinara que o mesmo permanecesse preso, até decisão final desse Tribunal. 

Marcando sua posição em defesa dos portugueses, ao que parece sem muito espírito crítico ou investigativo, o jornal terminava a matéria dizendo esperar que os juízes fizessem "cahir todo o rigor da lei sobre a cabeça do miserável bandido". 

Fica a dúvida que aflige o pesquisador: o que teria realmente acontecido? Como terminou o caso?

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

LUIZ MILANI & IRMÃO - COMERCIANTES E INDUSTRIAIS




Nos anos 1930, a família Milani tinha grande importância no cenário social e econômico de Jundiaí; eram industriais e comerciantes; seus escritórios localizavam-se à Rua do Rosário, no centro de nossa cidade. 


Nestes anúncios, publicados pela imprensa nos anos 1930, a empresa falava de seu "afamado sabonete Meia-Lua nº 1, o preferido das pessoas de bom gosto". Ao final deste post, outro anúncio da empresa, também dos anos 1930 que anunciava o breve lançamento de um creme dental e de um pó de arroz.

Para os mais jovens, que talvez nunca tenham ouvido falar em pó de arroz, vale lembrar que este era uma espécie de talco  utilizado principalmente para maquiagem. Não é feito de arroz, nem tem relação alguma a ele; esse nome popularizou-se no século XIX, quando o pó de arroz era muito usado pelas mulheres para deixar a pele mais clara, praticamente branca - da mesma cor do arroz.

É interessante notar que, no mesmo anúncio,  falava-se de produtos de toucador e de secos e molhados, ramos em que também atuava. Os publicitários de hoje certamente não gostariam de anúncios como estes...





terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

UMA BRINCADEIRA DE MAU GOSTO EM 1911

Volta-se a discutir a proibição de fogos de artifício em Jundiaí, desta vez restringindo a proibição às áreas de proteção ambiental, visando prevenir incêndios, principalmente. 

Assim, vale a pena relembrar um fato ocorrido em 20 de setembro de 1911, quando uma bomba foi jogada "da casa de negócio do sr. Antonio Sereno" (um bilhar provavelmente) e explodiu no "largo da Matriz" (hoje Praça Gov. Pedro de Toledo), causando muita confusão, com animais disparando e ferindo uma pessoa. 

Interessante notar que eram cerca de 6 e meia da manhã, e no largo estavam muitos carros (charretes e similares) "aguardando a hora de descerem para a estação", provavelmente atendendo passageiros do primeiro trem da manhã. 

Será que os autores da "brincadeira" haviam passado a noite jogando bilhar e na saída "aprontaram"? 





sábado, 17 de fevereiro de 2018

O FALSO MÉDICO PRESO EM 1932 E O LEITE DE MAGNÉSIA DE PHILLIPS

Em 2 de abril de 1932, a imprensa noticiava a prisão, aqui em Jundiaí, do alemão Roberto Stall, que residia à rua XV de Novembro.

Stall, apresentando-se como massagista, atraiu uma numerosa clientela. Com sua atenção chamada pelo movimento na casa do alemão, a Polícia investigou e encontrou na casa aparelhos médicos e receituários, através dos quais prescrevia remédios para diversos males - isso caracterizava o crime de exercício ilegal da medicina. Será que ele receitava o Leite de Magnésia de Phillips, que era anunciado nessa mesma data?

Quase 90 anos depois, ainda encontramos charlatães dessa espécie atuando em nossa cidade. Já o Leite de Magnésia de Phillips continua à venda, firme e forte, desde 1873, quando foi criado pelo farmacêutico inglês Charles Henry Phillips radicado na cidade americana de Stamford, estado de Connecticut. O produto  começou a ser fabricado  no Brasil em 1930, mas as embalagens ainda eram importadas. Somente a partir de 1949, a Cisper (atual Owens-Illinois) passou a fornecer os tradicionais frascos azuis; a empresa era a única que possuía tecnologia para fabricar vidros dessa cor no país.  Hoje o produto é fornecido em frascos de plástico, também na cor azul.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

VÁRZEA PAULISTA: ACIDENTE COM ARMA DE FOGO MATA CRIANÇA

Nestes tempos em que se discute a permissão para que pessoas possuam e portem armas de fogo, vale lembrar o acidente relatado pelo jornal Folha de S. Paulo de 27 de fevereiro de 1969: um menino de apenas cinco anos encontrou uma arma escondida sob uma cama e acabou morrendo vítima de um disparo acidental. 

O jornal lembra que a mãe do menino dera à luz uma menina, pouco mais de uma hora antes de que acontecesse a tragédia. 

domingo, 11 de fevereiro de 2018

JOAQUIM ANTÔNIO LADEIRA: UM PROFESSOR ILUSTRE

Joaquim Antonio Ladeira nasceu em 02 de maio de 1864, em Campinas. Era filho de Antonio Maurício Ladeira e Maria do Carmo Martins Ladeira, sendo o terceiro filho de quinze irmãos.

Aos dezenove anos foi estudar em São Paulo na Escola Normal, concluindo seus estudos em 1889. Nesse mesmo ano, inicia suas atividades como professor na cidade de Campinas.


Casou-se a 09 de dezembro de 1893 com Maria do Carmo Pedroso Ladeira; dessa união nasceram onze filhos: Alcino, Acílio, Amaury, Abelardo, Auxiliadora Maria, Alayde, Adoniro, Alina, Adiles, Aracy e Armênio.

Seu filho Adoniro foi uma figura ilustre em nossa terra: professor e advogado dá seu nome a uma escola em nossa cidade. 

Em 1892 veio para nossa cidade, tendo se aposentado em 1931 como Diretor do Grupo Escolar “Cel Siqueira de Moraes”. Suas atividades não se limitaram ao ensino, como mostra a publicação ao lado, de 1928, que noticia sua nomeação para o "Conselho de Assistencia e Protecção aos menores".

Faleceu repentinamente em 20/03/1933, em Jundiaí, onde se encontra sepultado.  Seu enterro saiu da Praça João Pessoa, antigo nome do atual Largo de São Bento - provavelmente vivia ali.

Dá seu nome a uma escola da vizinha cidade de Louveira, de cujo acervo  vieram as informações para criação deste post.