quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

2 DE FEVEREIRO DE 1949: UMA QUASE TRAGÉDIA NO TÚNEL DE BOTUJURU


A Folha da Noite noticiava que na tarde de 2 de fevereiro de 1949 por muito pouco não ocorreu uma tragédia: um trem de passageiros, que vinha de São Paulo para Jundiaí com cerca de 600 passageiros, parou dentro do túnel de Botujuru, por problemas técnicos. 

Locomotiva similar à que tracionava o trem
O trem era tracionado por uma locomotiva diesel, e a fumaça asfixiante gerada pela máquina encheu o túnel, o que junto com a escuridão, levou os passageiros ao pânico.

A ação rápida e decidida do  guarda-trem acalmou os passageiros, e apenas alguns sofreram leves escoriações ao movimentarem-se dentro do trem. Cerca de 15 minutos depois a locomotiva voltou a mover-se e a fumaça se dissipou quando o trem deixou o túnel. 

Vale lembrar que o túnel já foi cenário de diversos casos interessantes, que abordamos em outros posts, como o do passageiro que caiu de um trem que passava pelo túnel e sofreu apenas escoriações,  do fantasma de um encarregado de obras do túnel que foi assassinado na área e de um massacre ocorrido na região

Na foto abaixo, um trem (litorina) entrando no túnel.


domingo, 14 de janeiro de 2018

1951: SURGIAM AS VILAS DE VECCHI E SÃO PAULO

Em 1951 estava sendo loteada a área que hoje compõe as vilas De Vecchi e São Paulo. 

A área fazia parte da antiga Fazenda Progresso, de que tratamos em post anterior. Essa fazenda pertencera a  Arthur De Vecchi, que nasceu na Itália em 1868 e chegou ao Brasil em 1908, depois de ter vivido alguns anos na Argentina. Ao chegar, instalou-se   no município de Campos, no estado do Rio de Janeiro, onde adquiriu uma usina de açúcar. Transferiu-se posteriormente para Jundiaí, instalando-se em um sítio no bairro da Toca em 1913; ali plantava uvas. 

Em 1918, adquiriu a Fazenda Progresso, próximo à Vila Arens (essa fazenda transformou-se mais tarde na Vila Progresso, partes da qual são as Vilas S. Paulo e De Vecchi), implantando ali, a maior cultura vitícola do país: 360.000 videiras da variedade Seibel 2, numa área de 100 hectares. Era uma propriedade modelar: ali atuava um engenheiro agrônomo (G. Cunha), aplicava-se fertilizantes químicos e eram utilizados equipamentos mecanizados. 

Em 1920, fundou o Estabelecimento Enológico De Vecchi, transformado mais tarde na Companhia Viti-Vinícola Paulista S.A. (1928). A empresa funcionava à avenida Dr. Cavalcanti, ao lado direito de quem vai para o centro da cidade, pouco antes do prédio hoje ocupado pela Receita Federal (ao lado esquerdo da rua). No prédio, hoje demolido, funcionaram a fábrica de refrigerantes Ferraspari e a indústria de bebidas Caldas. 

O anúncio fazia menção a um Estádio Municipal - o que acabou sendo construído  ali foi o estádio da Associação Primavera de Esportes. Há também um exagero: a área não fica a mil metros do centro da cidade, mas pelo menos a quatro mil! Propaganda enganosa sempre existiu...

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

MAIS DE 100 ANOS DE TRADIÇÃO: DA PADARIA SÃO SEBASTIÃO AO RESTAURANTE DADÁ



Em 1915, Abílo Ferreira, um imigrante português, fundou em Jundiaí a Padaria e Confeitaria São Sebastião, que tinha como endereço  o número 67 da Praça da Independência (hoje Praça Governador Pedro de Toledo); seu telefone, 111.

Era um estabelecimento requintado, como se pode ver no anúncio abaixo: produtos importados e coisas que a maior parte da população não consumia regularmente.

Na década de 1950, seus filhos transformaram o estabelecimento em um bar e restaurante, chamado Dadá, apelido de Eduardo, filho caçula de Abílio. Continuou a ser um ponto elegante da cidade: além das refeições, muita gente ali se encontrava para o aperitivo do final da manhã ou início da tarde, pessoas lanchavam ao sair da Missa na Catedral, jovens tomavam seus milk shakes e banana splits depois do cinema - enfim era um local para toda a família. Eduardo administrou o restaurante até o ano de 2010, quando faleceu.

Mas o Dadá, agora Restaurante Dadá, continua operando, e bem: basta procurar avaliações nas redes sociais, quase todas muito positivas. O local continua o mesmo, mas a designação do endereço mudou: agora é Rua do Rosário 277.

Ao final deste post, uma foto do fundador com o furgão da Padaria; essa foto, como as demais deste post, são do acervo do Prof. Maurício Ferreira.



   


    segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

    1944: UM CONCURSO PÚBLICO PARA "ESCRITURÁRIO-DATILÓGRAFO"

    A Folha da Manhã anunciava em 30 de agosto de 1944 a realização de um concurso para o provimento de cargos de "escriturário-datilógrafo" para a Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários da Cia. Paulista, que fora fundada em 1923. Era "um senhor emprego" para os padrões da época.

    Algumas curiosidades: os candidatos deveriam levar caneta-tinteiro ou lápis-tinta; textos escritos com esses lápis não podiam ser apagados, o que ocorria também com o que era colocado no papel com canetas tinteiro. 

    Havia prova de datilografia; os candidatos podiam optar por levar suas próprias máquinas de escrever, que deviam ter seus tipos limpos e com fita preta; para garantir o sigilo das provas, não podiam ter "tipos góticos, itálicos ou outros que despertem atenção e prejudiquem o sigilo da prova".

    Toda essa tecnologia, já não é mais usada, com exceção das canetas tinteiro, ainda objeto da atenção de alguns saudosistas...


    quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

    1969 - NOSSO AEROCLUBE RECEBIA UM NOVO AVIÃO

    Cherokee similar ao recebido pelo Aeroclube
    Em fevereiro de 1969, nosso Aeroclube recebeu um novo avião, um Cherokee PA-28-149, que recebeu o prefixo PT-AKK.

    A série PA-28, é produzida desde 1961 pela Piper Aircraft; mais de 33 mil exemplares já foram produzidos, o que faz dela uma das aeronaves de maior sucesso em todo o mundo; inovações tecnológicas são constantemente incorporadas à linha. 

    O PT-AKK teve um fim triste: caiu em Santa Cruz do Rio Pardo em 29 de maio de 1983, ao que parece por falha do piloto, que não teria levado em conta problema técnico que o avião apresentara. Ao que consta não mais pertencia ao nosso Aeroclube.


    quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

    TENENTE LEONARD HAMMOND: MAIS UM JUNDIAIENSE MORTO NA 1ª GUERRA MUNDIAL

    O Tenente Leonard Hammond
    Já falamos sobre  Walter John Hammond, um inglês que viveu em nossa cidade trabalhando para a Cia. Paulista e que teve dois filhos nascidos aqui, mortos na 1ª Guerra Mundial lutando pelo exército inglês. 

    Um deles foi o Capitão Paul Hammond, o outro, o Tenente Leonard Hammond,  que morreu em Demuin, no Somme, França, em 5 de julho de 1916, aos 27 anos. Leonard pertencia ao 10º Batalhão do Duke of Wellington's Regiment (West Riding Regiment). Seu corpo está sepultado no Cemitério Militar de Becourt, não longe de onde morreu, durante a batalha de Albert, a primeira das batalhas do Somme. 

    Leonard estudou na Inglaterra na  Tonbridge School (onde se destacou jogando críquete) e posteriormente na Universidade de Louvain, na Bélgica.

    Havia um terceiro militar na família, mais jovem que Paul e Leonard, que como Capitão também lutava na França. Após a morte dos mais velhos, foi transferido de volta para a Inglaterra, onde serviu até o final da guerra. Este irmão mais novo estudou na Universidade de Westminster, onde se destacou como jogador de futebol - era zagueiro.  

    domingo, 24 de dezembro de 2017

    REVOLUÇÃO DE 1932: RADIOTRANSMISSOR APREENDIDO E PROPRIETÁRIO PRESO

    A Electro Metallica era uma indústria mecânica de nossa cidade, fundada em 1913. Situava-se na Rua Barão de Jundiaí nº 1 - na atualidade é difícil conceber uma indústria desse tipo na principal rua de nossa cidade - o anúncio ao lado é de 1936. 

    Seu proprietário envolveu-se em um episódio da Revolução de 1932: a Folha da Manhã de 23 de setembro daquele ano anunciava a apreensão de um aparelho radiotransmissor pertencente a Alberto Klovrza, filho do engenheiro José Klovrza, proprietário da empresa.  Em épocas de conflito, equipamentos como este são vistos como de uso de espiões, o que redundou na apreensão do rádio e prisão de Alberto.

    Os combates terminaram em 2 de outubro, mas a manchete daquele jornal, 9 dias antes, eram francamente otimistas do ponto de vista dos revolucionários - mais uma vez, justifica-se o ditado: na guerra, a primeira vítima é a verdade... 

    Não temos informações acerca da evolução dos fatos, mas consta que em 1945 Alberto Klovrza, "de nacionalidade tcheca nascido na Alemanha em 12 de Abril de 1911", obteve a cidadania brasileira - constam como seus pais José Klovrza e Maria Olga Klovrza.

    terça-feira, 19 de dezembro de 2017

    VEREADOR QUERIA DEMOLIR O SOLAR DO BARÃO

    O Solar do Barão é uma das jóias de nossa cidade - uma das poucas construções antigas que sobreviveu à sanha de "modernização" da  cidade. 

    O casarão foi  construído na década de 1860, era a residência da família Queiroz Telles, fazendeiros e políticos. É uma construção típica de sua época, tendo ainda um belo jardim; o complexo, na atualidade,  sedia o Museu Histórico e Cultural de Jundiaí.

    Mais o prédio correu riscos: em requerimento datado de 12 de fevereiro de 1969 o então vereador Reinaldo Ferraz de Barros Basile manifestava-se de forma clara sua opinião de que o prédio deveria ser demolido, com uma rua sendo construída na área ocupada por ele, "modernizando" a cidade - um trecho do requerimento aparece ao final deste post - para conhece-lo na íntegra, basta ir ao link acima. Felizmente o vereador não conseguiu fazer suas idéias irem à frente. 




    sábado, 16 de dezembro de 2017

    MADAME CARLETTI ATENDIA AS ELEGANTES DE JUNDIAHY

    Um anúncio na Folha da Manhã de 29 de julho de 1934 informava às elegantes de nossa cidade que a casa de Modas de Madame Maria Carletti estava à disposição na rua Barão 80, telefone 297. 

    Os anúncios antigos trazem informações interessantes: este, falava em "luto em 24 horas" - na época, quando um parente próximo morria, as mulheres usavam roupas pretas durante um certo período. Falava também em "machinas de point-ajour" e plissée", coisas de que não temos certeza do que são.

    Na mesma edição, as elegantes da cidade eram informadas que no dia seguinte começaria mais uma  Liquidação Semestral do Mappin, oferecendo, entre outras coisas "pelles e manteaux" em centenas de modelos, sem repetições (mulheres odeiam encontrar outras com roupas iguais...).


    quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

    EXPULSÃO DE CIGANOS - SEMPRE UM POVO PERSEGUIDO

    Em sua edição de 21 de fevereiro de 1932. a Folha da Manhã noticiava que um grupo de ciganos havia acampado no Largo de Santa Cruz e que as mulheres do grupo andavam pelas ruas da cidade "tirando sortes".

    Pressionados pela Polícia acabaram instalando-se em uma casa da Rua Adolpho Gordo, hoje Zacarias de Góes, e segundo o jornal "trazendo "appreensões à população".

    Na época, a presença de ciganos era associada a golpes como a venda de jóias falsas, furtos de cavalos e em residências e outros delitos do tipo. 

    Nos anos 1950, era comum ciganos acamparem na região pela qual passa hoje a Av. 14 de Dezembro - as mães na época recomendavam às crianças que não saíssem de casa, pois "ciganos roubavam crianças" - e seguíamos essa recomendação à risca...

    domingo, 10 de dezembro de 2017

    AUMENTO DE IMPOSTOS? NENHUMA NOVIDADE

    Nesses dias em que se fala de um aumento do IPTU de "apenas" 25%, vale lembrar que isso não é nenhuma novidade: em 1868 Joaquim Saldanha Marinho, "comendador da Ordem de Cristo e presidente  da província de S. Paulo, etc., etc., etc" decretava, a pedido de nossa Câmara Municipal, aumento de impostos para nossa cidade. Os produtores de café e açúcar pagariam 20 réis por arroba e os advogados, médicos e cambistas pagariam anualmente 10 mil réis. 

    Mas como sempre dizem as autoridades, o fim era nobre: os valores seriam utilizados para a construção de um cemitério e de um chafariz. 

    Restam algumas perguntas:

    1. O que seria o "etc., etc., etc" nos títulos do Presidente da Província (foto ao lado)?

    2. O que significaria a palavra "cambista" naquela época?

    3. Será que o cemitério e o chafariz foram construídos?

    4. Quando será que esses impostos foram suprimidos, se é que o foram?  

    Mais uma vez a Bíblia está certa:  nihil novi sub sole (não há nada de novo sob o sol), como está em Eclesiastes, 1, 10...

    GRANDES FIGURAS DO RADIO JUNDIAIENSE

    É sempre bom relembrar grandes figuras do rádio jundiaiense.  Em agosto de 1973, o vereador José Sílvio Bonassi propunha um voto de congratulações a três dessas figuras: Cícero Henrique, advogado que continua atuando na Rádio Cidade e dois radialistas já falecidos: Hélio Luiz Lorencini (advogado) e José Roberto Reynaldo, (policial militar), ambos falecidos prematuramente.

    O vereador destacava o programa "Enquete da Semana", que trazia a opinião de pessoas do povo acerca de temas de interesse da cidade. 


    quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

    O VOLEI NA ESPORTIVA: SÓ SAUDADE

    A velha e querida Associação Esportiva Jundiaense vive hoje praticamente apenas na memória daqueles que de uma forma ou outra foram ligados a ela - de uma forma mais concreta, ainda reúne alguns veteranos em peladas jogadas em sua sede de campo; a sede do centro é hoje um conjunto de edifícios residenciais.

    Mas nem sempre foi assim: em 1958 ganhou em Caçapava o troféu Bandeirantes, à época um certame muito importante, nas modalidades de voleibol masculino e feminino - o então vereador Omair Zomingnani propôs à Câmara um voto de louvor ao clube.

    O volêi sempre foi importante na Esportiva: em sua edição de 14 de maio de 1937, o jornal “Folha da Manhã”, de São Paulo, noticiava a realização do campeonato de voleibol (o esporte era chamado “volebol”) da Esportiva, com as escalações das equipes, que eram chamadas “turmas” – membros de tradicionais famílias de nossa cidade ali aparecem, como mostra o recorte abaixo:


    segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

    PAUL HAMMOND, UM JUNDIAIENSE QUE MORREU NA 1ª GUERRA MUNDIAL

    Paul Hammond nasceu em Jundiaí em 28 de outubro de 1884 e morreu na França, durante a primeira batalha do Somme, em 25 de fevereiro de 1916. As batalhas do Somme  foram das mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial: mais de 1,2 milhões de mortos e feridos! 

    Hammond era filho de Walter John e Lucy Hammond;  seu pai era um engenheiro inglês que trabalhava para a Cia. Paulista de Estradas de Ferro.

    Hammond estudou engenharia de minas  na Universidade de Freiberg, na Alemanha. Formado em 1907,  trabalhou na área no Uruguai e nos estados de São Paulo e Bahia, após o que voltou a Londres e passou a atuar como consultor na área de mineração.

    Juntou-se ao exército inglês tão logo a guerra começou, atingindo o posto de capitão e ao morrer atuava como "acting major" (um capitão que ocupa temporariamente o posto de major), quando em 17 de fevereiro de 1916, na área de Foncquevillers, foi atingido na coxa por uma bala perdida, no momento em que deixava uma trincheira. Comandava uma companhia do 8º Batalhão do East Lancashire Regiment.

    A bala causou uma fratura exposta no osso de sua coxa; foi operado, mas contraiu pneumonia, vindo a falecer. Foi sepultado no cemitério de Étretat, próximo ao local onde foi ferido. Sua morte foi profundamente lamentada por seus companheiros de armas, tendo recebido elogios de Sir Douglas Haig, que comandava as tropas inglesas na França.

    Para adicionar ainda mais tristeza, seu irmão Leonard, tenente do exército inglês, também foi morto em ação no dia 5 julho daquele ano. Havia um terceiro irmão, também capitão que lutava na França e que após a morte de Leonard, foi transferido para a Inglaterra, assumindo funções na retaguarda. 

    O triste fim dos irmãos certamente acelerou a morte do pai, que aconteceu em agosto do mesmo ano.  Um monumento homenageia os irmãos e outros mortos na guerra que viveram em Knockholt, onde residiam seus pais. 


    quinta-feira, 30 de novembro de 2017

    JUNDIAÍ CONSTOU DO PRIMEIRO LIVRO EDITADO NO BRASIL


    O Padre Manuel Aires de Casal escreveu um livro que descrevia o Brasil do ponto de vista geográfico - foi o primeiro livro editado no Brasil. Trazia também uma história do país desde o descobrimento até 1532, quando o Brasil foi dividido em capitanias. 


    Como mostra a imagem ao lado, foi impresso no Rio de Janeiro em 1817, e como era de praxe, foi dedicado ao Rei D. João VI, que era chamado pelo autor "Sua Magestade Fidelíssima". 


    O Padre Casal falou de nossa cidade e faz uma descrição interessante dela, como se pode ver no fragmento do livro que aparece ao final deste post: dizia que Jundiaí era uma vila medíocre (no sentido de ser de tamanho médio), que tinha uma boa matriz e um hospício (hospital, asilo) dos Beneditinos - é nosso atual Mosteiro de São Bento. 

    Falava também dos jundiás, peixes que deram origem ao nome da cidade, da criação de animais, das grandes plantações de açúcar e dos engenhos e da abundância de legumes e milho; tudo isso servia para abastecer as tropas que partiam para Goiás (e outros destinos) e que se preparavam aqui para suas lingas viagens. 




    O Padre Casal voltou para Portugal com a Família Real em 1817, tendo falecido em 1821 aos 67 anos. 

    Ao que tudo indica, Aires de Casal escreveu a sua "Corografia Brazilica" sem realizar nenhuma viagem de estudo e observação, sendo a obra fundamentada, basicamente, em descrições e inventários produzidos por terceiros, com o autor aproximando-se mais da posição de compilador. Caio Prado Júnior observou que, para falar dos indígenas, por exemplo, utilizou um texto de 1571, de autoria de Jerônimo Osório, que nunca esteve no Brasil; outro texto utilizado por Aires de Casal é de autoria de Santa Rita Durão, que descreve os frutos brasileiros.

    De qualquer forma, a obra tinha valor, em uma época que muito pouca literatura estava disponível. 

    segunda-feira, 27 de novembro de 2017

    ACIDENTE COM A LITORINA




    Em nossa região era célebre a litorina, trem leve de passageiros que ligava São Paulo a Campinas, com parada em nossa cidade - durante certos períodos, houve outras paradas. Era utilizada principalmente por profissionais e estudantes. 

    Em 18 de agosto de 1976, quase uma tragédia: a litorina vinda de Campinas chocou-se com um trem de carga estacionado na estação de nossa cidade - houve um erro de um operador de chaves de desvio ou uma falha desse equipamento. Foram 87 feridos, nenhum grave. 

    O trem envolvido era um composto por carros Budd, diferentes dos carros ingleses que compunham as litorinas originais, que já foram objeto de post em nosso blog




    sexta-feira, 24 de novembro de 2017

    CANTO LÍRICO E COMÉDIA NA JUNDIAÍ DE 1938

    A Folha da Manhã de 8 de janeiro de 1938 noticiava a chegada à nossa cidade de dois grupos artísticos.

    O primeiro era a "Companhia Lyrica Italiana de Dora Selina", que vinha do Rio de Janeiro para exibir-se em nossa cidade pela terceira vez. Seriam cinco recitas, e as "assinaturas" (reservas) poderiam ser feitas no Salão Orestes (o que seria esse estabelecimento? Uma barbearia?).

    As recitas aconteceriam no Theatro Polytheama e faziam parte da programação da Festa da Uva.

    Já estava por aqui a "Companhia Brasileira de Theatro Musicado", exibindo-se no Theatro República, em Vila Arens, onde apresentava comédias, que segundo o jornal, vinham agradando. Margarida Sper, que liderava o grupo, chegou a atuar no cinema, fazendo em 1952 o filme "João Gangorra", onde contracenava com Walter D'Ávila.

    Em uma época de poucas opções para diversão, o teatro fazia sucesso - pouco coisa parecida acontece hoje por aqui. Uma alternativa era o rádio, como mostra a propaganda dos rádios Blaupunkt, publicada na mesma edição do jornal: 


    terça-feira, 21 de novembro de 2017

    MAIS DA FINADA VIGORELLI: A METRALHADORA URU

    Em post anterior, já falamos da história da Vigorelli, empresa que marcou época em nossa cidade.

    Neste post, trazemos duas notas que fizeram parte de uma resenha de maio de 1982, trazendo notícias acerca da empresa, uma delas publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo relatando greve na empresa, causada pela falta de pagamento aos funcionários. 

    A outra, publicada pelo Jornal do Brasil, relata o pedido de concordata feito pela empresa, que mencionava a possibilidade de fabricar armas como forma de fugir à crise que a assolava - era mais uma tentativa esdrúxula: a empresa já se aventurara a fabricar barcos de pesca, móveis, caixões de defunto etc. 

    A Uru
    Quanto às metralhadoras, consta que a empresa fabricou algumas, que foram abandonadas quando da falência - apenas algum tempo depois disso, o Exército recolheu as armas e peças que estavam na fábrica. Isso talvez explique porque, as metralhadoras Uru - as armas que seriam fabricadas, apesar de nunca terem sido vendidas, terem chegados às mãos de bandidos e membros das FARC colombianas. Essa arma era de péssima qualidade, e segundo alguns, tinha o péssimo hábito de disparar todos os seus trinta projéteis quando caia ao chão...

    Para lembrar um pouco de coisas boas, encerramos este post mostrando um anúncio dos bons tempos da Vigorelli; a curiosidade é que o anúncio menciona ao citar seu endereço a expressão "Cidade Vigorelli" - além da fábrica propriamente dita, existiam casas para os funcionários - a maior parte da área é hoje ocupada pelo Jundiai Shopping.




    sábado, 18 de novembro de 2017

    WALTER JOHN HAMMOND - UMA PERSONAGEM POUCO CONHECIDA EM NOSSA CIDADE

    A primeira locomotiva da Paulista
    Walter John Hammond nasceu na Inglaterra, mais precisamente em  Ashford, Kent, em 21 de janeiro de 1849.

    Chegou a Jundiaí em 1871, para trabalhar como engenheiro na Companhia Paulista de Estradas de Ferro;  poucos anos depois  assumiu uma gerência naquela empresa. 

    A Paulista tinha interesse na navegação do Rio Mogi Guaçu, para conexão de localidades situadas às suas margens à ferrovia. Hammond trabalhou nesse projeto, tendo suas realizações sido reconhecidas por Dom Pedro II, que o condecorou com a Ordem da Rosa, uma importante honraria.

    Era famoso por suas preocupações com a melhoria das condições sociais dos trabalhadores e por sua luta contra a escravatura - levava a sério as regras vigentes na época, que previam que escravos ao adentrarem nas terras concedidas à ferrovia tornavam-se propriedade da mesma e não podiam mais serem capturados, o que na prática significava liberdade. 

    Após 21 anos no Brasil, retornou à Inglaterra,  passando a viver em  Knockholt, próximo a  Sevenoaks, Kent. Tornou-se diretor de várias empresas, entre as quais a São Paulo Railway - SPR, futura Santos a Jundiaí e da Amazon Steam Navigation Co. - a serviço dessa empresa, subiu o Rio Amazonas até o Peru.  


    Tenente Leonard Hammond
    Capitão Paul Hammond
    Casado com Lucy Hammond, teve três filhos nascidos em Jundiaí que lutaram pela Inglaterra na 1ª Guerra Mundial, na qual os dois mais velhos, Paul e Leonard, morreram em 1916.

    Walter Hammond morreu em sua casa em Knockholt em 11 de agosto de 1916, certamente muito abalado pela morte dos filhos.   

    quinta-feira, 16 de novembro de 2017

    MAIS CONFUSÕES AMOROSAS...

    Nossa cidade tem sido palco de casos de amor, no mínimo, extravagantes.


    Conforme relatava a Folha de São Paulo de 28 de julho de 1964, um tal de Pedro das Vacas casou-se apenas no religioso com uma certa Antonia. Pedro, que não era flor que se cheire, envolveu-se em furtos e acabou ficando preso durante longa temporada. Com Pedro no xilindró, Antônia casou-se com Armando, no civil. 

    Ao sair da cadeia, Pedro foi viver na Vila Hortolândia, vizinho a Antônia e Armando. Em um certo domingo, em um bar da região, Pedro acabou discutindo e sendo agredido por um grupo de desconhecidos, o que talvez tenha acontecido em função de sua condição de "marido traído".

    Exasperado, armou-se de um porrete e resolveu matar Antonia; Armando, defendeu a mulher acertando dois tiros de garrucha na boca de Pedro, que ficou ferido. 

    No final de tudo, os dois maridos na cadeia e Antônia sozinha...


    segunda-feira, 13 de novembro de 2017

    A FUNDIÇÃO ESPERANÇA

    Em 17 de fevereiro de 1957, a Fundição Esperança saudava seus clientes pela passagem do Dia da Indústria.

    O prédio onde se localizava a Fundição ainda existe, fica no cruzamento da Rua Pitangueiras com a Dr. Hegg, e hoje abriga a loja de tintas Copema, depois de ter ali funcionado a fábrica de sorvetes Cremilk.

    A Fundição mantinha na calçada dois bancos de jardim, onde estudantes do GEVA e do Anchieta se encontravam à noite, após o final das aulas. 


    Em 1959, a empresa anunciava na "Folha da Manhã":



    quinta-feira, 9 de novembro de 2017

    O HOTEL DA ESTAÇÃO DE JUNDIAHY

    Em junho de 1887 o jornal "Imprensa Ytuana" publicava um anúncio do "Hotel da Estação de Jundiahy", de propriedade de Rappa & Barretini.

    Afirmava servir almoço e jantar a qualquer hora, contando com um "perito cozinheiro". O anúncio informava receber da Itália "todas as qualidades de vinho", um "de pasto", certamente o vinho da casa, e um "Aleático Toscano", produzido com uma uva que, ao que parece, é uma mutação do moscato nero toscano, que permite produzir vinhos de muito boa qualidade, na classificação italiana, DOC - Denominazione di Origine Controllata, que indica o local onde as uvas utilizadas foram cultivadas.

    Falava de diversos produtos disponíveis, inclusive dos queijos Parmesão e Romano - este parece ser o Pecorino, queijo   feito com leite de ovelha, duro, compacto e salgado, com sabor forte. O Pecorino é parecido com o Parmesão, que é feito com leite de vaca. 

    Em post anterior, dissemos que o jornal Correio Paulistano publicara em sua edição de 3 de março de 1872, um anúncio do "Hotel do Commercio", em nossa cidade, vizinho à Estação Ferroviária. Seria o mesmo estabelecimento? Provavelmente, sim. 

    A foto abaixo, do acervo do Prof. Maurício Ferreira, mostra a plataforma da Estação em 1893, aparecendo a tabuleta falando da conexão com a Ituana, razão pela qual o anúncio foi publicado no jornal daquela cidade.